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27 de out. de 2016

Pontos Riscados

Uma das coisas na umbanda que intriga os neófitos são os pontos riscados. Fazendo uma busca na web sobre o tema, encontramos algumas coisas a respeito, mas tenho dúvida se essas coisas traduzem o que é o ponto riscado. Encontramos muito frequentemente, na maior parte das vezes, que um ponto riscado é uma assinatura da entidade de umbanda.

Nos terreiros, ouvimos muitos aconselhamentos que nos alertam sobre "os perigos" em buscar pontos riscados, bem como a compreensão deles via internet. Isso ocorre por duas razões básicas:

1) existem vários espíritos agrupados em um mesmo nome de falange (exemplo: caboclo 7 flechas); isso não significa que exista uma única assinatura de falange. Cada caboclo 7 flechas terá o seu ponto riscado, individual e intransferível. Por essa razão os terreiros, de modo geral, desaconselham seus neófitos a buscarem na internet. Isso, de certo modo, pode dificultar o processo do desenvolvimento, uma vez que falte uma compreensão adicional (que exporei a seguir).

2) Pontos riscados possuem uma gramática própria e nem todos são uma "assinatura" da entidade. Existem pontos de firmeza, pontos de descarga, pontos de energização e assim por diante... O fato é que cada ponto riscado tem como objetivo formar um amálgama, uma síntese das energias que serão usadas em determinado trabalho, de forma que nenhuma outra possa vir interferir.

Dessa forma notamos que nos casos dos pontos riscados das entidades de umbanda, cada uma delas trará em seu ponto riscado as energias que elas podem vir manipular. Esse ponto pode ser diferente, por exemplo de um ponto de proteção dado pela entidade. Assim nem sempre que um neófito recebe por intuição, ou em sonho, um ponto riscado significa que este é o ponto de "identificação" de uma entidade. Da mesma forma nem sempre ao encontrarmos um desenho de ponto riscado na internet, atribuído a uma guia de uma certa falange, esse ponto será o ponto da nossa entidade e/ou o ponto de identificação da entidade.

Pontos riscados são formados de acordo com uma gramática que APENAS as entidades de umbanda conhecem. Algumas vezes os próprios guias nos permitem conhecer um pouco desses pontos, mas a gramática mesmo as entidades sabem.

Há também na web algumas tabelas que associam símbolos de pontos riscados à linhas de trabalho e à Orixás. É interessante saber esses significados, sim. Mas sempre levando em consideração que qualquer um desses símbolos pode adquirir outro significado dependendo da posição em que aparece no ponto, dependendo, inclusive, da direção do traço na hora da riscagem.

Em resumo: saber parte do símbolos e significados frequentes nos pontos riscados é útil, mas não resume o que é o ponto riscado.




27 de ago. de 2016

Seria Sócrates um médium? (Ou ainda: seria o espiritismo cristão em sentido próprio?)

Essa postagem é um pouco inspirada no artigo "Eram os gregos macumbeiros?". Porém em uma vertente diferente. 

Ultimamente tenho me voltado bastante para filosofia grega e dentre tantos preparos para aula, pensei: porque não aproveitar o ensejo para pesquisar algo que me interesse? E assim comecei um estudo que já tem alguns anos eu desejava fazer. Tentar entender um pouco melhor o conceito de DAEMON no pensamento socrático, tal qual reproduzido por Platão (e Xenofantes, também, muito embora não tenha me aprofundado nesse segundo autor).

No meio dos meus estudos lembrei que no Evangelho Segundo o Espiritismo há um tópico, logo na introdução, só sobre como Sócrates teria sido um "precursor" das ideias cristãs - acho (meio hereticamente) que não é bem assim, e espero poder falar disso mais a frente. Mas importa, nesse primeiro momento que o Espiritismo considera Sócrates como um dos primeiros pensadores a falar sobre reencarnação e sobre espíritos que nos acompanham, DAEMONES, que seriam, na visão kardecistas como mentores espirituais.

Os artigos que encontrei sobre o tema mostram que parte da condenação de Sócrates envolve não apenas o fato dele ser considerado um "aliciador de jovens", no sentido de disseminar entre eles a reflexão, o questionamento sobre temas básicos como "a justiça", "o bem", etc. Está presente também na condenação de Sócrates a acusação de subverter as crenças estabelecidas, o que alguns interpretam em como não crer nos deuses e de substituí-los por outros seres (que seriam os daemones). Para compreender melhor isso é necessário entender: (1) se tais entidades já estavam presentes na religiosidade grega; (2) a forma como Sócrates pessoalmente se relacionava com seu daemon. Ao falarmos dessa segunda parte é que a questão do título desse post se coloca.

Sobre o tópico (1) podemos explicar em linhas gerais que desde Hesíodo (bem antes de Sócrates) os daemones já faziam parte da religiosidade grega. Eles eram subordinados à um Theos, um Deus. E eram responsáveis por acompanhar os homens (um para cada homem) para garantir que seu destino se cumprisse, mas sem interferir nisso. Ou seja, não havia nenhum tipo de comunicação entre um homem e seu daemon pessoal, nem para o bem, nem para o mal. No final da vida (e isso o kardecismo fala certo) é o daemon o responsável por conduzir a alma "do seu humano" pelo Hades.

A grande diferença que podemos encontrar entre os daemones clássicos e os que são referidos por Sócrates, é que, diferente do que diria a religiosidade, Sócrates conseguia "ouvir" conselhos de seu daemon. O daemon, não agia, deixava as escolhas por conta de Sócrates, mas o aconselhava de vez em quando. E é essa relação com o seu daemon pessoal que gerou a grande confusão. Como, de acordo com Hesíodo, os daemons apenas selam para que os destinos sejam cumpridos sem nunca interferir (nem comunicar nada), era uma afronta Sócrates estabelecer uma relação de camaradagem com seu daemon pessoal. Na cabeça dos gregos, Sócrates estava substituindo a crença nos deuses pela crença em seu daemon, como se ele fosse a divindade. 

Alguns interpretes consideram que a acusação de Sócrates era equivoca, e que não se trata de uma "substituição de divindades", mas sim da ressignificação dos daemones, já que antes de Sócrates essa comunicação não ocorria (não que a gente saiba...rs) O próprio Sócrates, em sua defesa, argumentou que Daemones são mensageiros dos Deuses, cada um subordinado a um Deus, crer nos daemones, implica necessariamente crer nos deuses que os criaram e os colocaram para guardar os homens. A diferença é que Sócrates recebia e acolhia os conselhos dados por seu daemon (que pelo que li era enviado por Apolo). Enfim, o problema todo estava, na verdade, no fato de Sócrates se comunicar com esses ser "dividos" e tê-lo como conselheiro. E por isso veio a questão: Seria Sócrates um Médiun?

Segundo o Evangelho Segundo o Espiritismo, sim. O contato de Sócrates com o daemon representa o que hoje se vê nos contatos mediúnicos com mentores espirituais. 

Mas esse é um blog sobre umbanda, certo? Por que abordar esse tema aqui? 
Cabe lembrar que proponho não um mero acordo com o Espiritismo (lá no começo do texto) mas uma leitura de certo modo herética do texto de Kardec. 

Quando Kardec menciona Sócrates, o faz no sentido dele ser um precursor de idéias cristãs que estão presentes no espiritismo. Mas será que é isso mesmo? Vejamos: no espiritismo os mentores espirituais não são enviados por Deuses e nem subordinado à deuses. Já na umbanda podemos encontrar algo bem mais parecido com o que os gregos falavam sobre esses seres, uma vez que todos os espíritos trabalhadores de umbanda são agrupados em falanges que respondem a um Orixá (seja esse Orixá interpretado uma deidade ou como força da natureza). Talvez isso ocorra justamente por ter uma "raiz" pagã em ambos os casos: O panteão grego não era cristão, assim como o panteão dos Orixás não era cristão em sua origem.

Ao que diz respeito aos daemones, creio que eles sejam mais próximos dos guias espirituais de umbanda, que dos mentores espíritas, pelo fato deles serem ordenados, organizados, conforme os deuses do olimpo. 

Mas o Evangelho afirma que Sócrates é um precursor das ideias do cristianismo. Afirma, também, que nada do que ele traz é absolutamente novo na história da humanidade. A própria proposta do Evangelho de Kardec é apresentar uma releitura de passagens do novo testamento à luz da doutrina espírita, mostrando que a doutrina não é contraditória com o texto sacro. Mas se é assim, porque ainda vemos tamanha resistência dos católicos em aceitarem a doutrina espírita? Seria puro preconceito? Será que Sócrates, os daemones, a reencarnação são compatíveis com os dizeres de Jesus, de acordo com o cristianismo apostólico romano que conhecemos? Não. E nem dá para afirmar que historicamente em algum momento o cristianismo tenha aceito teorias similares ao que prega o Espiritismo. É uma afirmação forte, sim. Mas uma afirmação baseada nas cruzadas que catequizavam pelo sangue, bem como nas perseguições e condenações das Heresias.

Historicamente o sec. XIII foi decisivo em relação à consolidação de determinadas doutrinas católicas. Dois eventos marcaram parte um momento de "depuração" da doutrina para transformá-la no que conhecemos hoje.

O primeiro foi o Concílio de Latrão de 1215. Nesse concílio, a igreja condenou o "Catarismo", uma vertente que surgia na França e que possuía bases muito similares às que vemos hoje no espiritismo. Não é possível rastrear totalmente sua origem já que os Cátaros foram praticamente dizimados e grande parte da sua doutrina se perdeu (e essa era a ideia mesmo, fazer sumir do mapa). Nas pesquisas que fiz, já encontrei tanto a descrição do Catarismo como uma "manifestação espontânea" gerada por uma leitura autônoma do novo testamento, como uma vertente mística do cristianismo que negava a sua hierarquia interna, os cargos, etc. (e nesse caso a condenação da doutrina ganha cunho político), como já li que o Catarismo tem origem nas doutrinas bizantinas, vindas de Alexandria, que questionavam dogmas como a transubstanciação da trindade em um só Deus, além de considerar a ressurreição de forma bem próxima à reencarnação dos orientais.

Outro momento foi em 1277, onde um decreto (décret de l'évêque) condenou todas as doutrinas de origem averroísta, que, dentre várias coisas pertinentes ao universo ser infinito, resgate da física ptolomaica, etc., diziam ser a alma humana uma parte de Deus e que, ao final da vida, a alma humana se reintegraria com Deus. Doutrina que muito ajudou na construção da "nova ciência" (sec. XV-XVII) e inspirou filósofos posteriores como Giordano Brunno e Espinosa.

Enfim, o cristianismo, tal qual conhecemos, nunca reconheceu como parte sua essas doutrinas que, de certo modo, encontramos, também, no espiritismo. Logo, não seria por essas teses (reencarnação, resgate cármico, etc.) que o espiritismo deveria se reconhecer como cristão. Nem tampouco Sócrates poderia ser visto como precursor de ideias cristãs, a meu ver. E por isso chamo essa minha leitura de "leitura herética do espiritismo", pois sei que muitos espíritas dogmáticos me colocariam na fogueira por isso...rs.

O que há de comunhão real entre o cristianismo e o espiritismo é o resgate do termo "ágape" como "caritas", ou seja, o amor mais divino segundo o testamento (o amor ao próximo) como caridade. Mas talvez esse venha ser tema de outra postagem, ou não...rs

Para a ideia original da postagem, já me estendi até demais! 



15 de fev. de 2016

Há 7 anos atrás...

Há 7 anos eu iniciava esse blog com a seguinte fala:

Resgatar memórias e reconstruir fragmentos é fundamental para a continuidade... Uma pessoa que se perde no tempo dificilmente saberá para onde anda. É necessário caminhar, mas caminhar conscientes de que ao mesmo tempo que não somos mais os mesmos, somos a soma de tudo o que se foi.

Curiosamente hoje, eu vinha refletindo sobre todos esses anos de umbanda, sobre como a minha visão mudou e, em uma viagem de ônibus foi como se eu refizesse vários caminhos na mente como em um filme. Cheguei em casa pensando em escrever sobre essas reflexões que reconstruiu bem mais que esses 7 anos de blog. São cacos de memórias que hoje fazem sentido e explicam o que sinto nesse momento. Qual não foi o meu espanto ao abrir o blog e reler a primeira "fala" que aqui escrevi! Talvez hoje essa frase tenha um sentido mais pessoal que na época em que a escrevi (ou não). O fato é que essa "fala" resume a reflexão feita hoje, 7 anos depois, a qual pretendo expor aqui.

Nunca foi intenção minha trazer aqui reflexões experiências pessoais nas vivências de terreiro, se o fiz nesses 7 anos, sempre procurei na maior parte das vezes embasa-los com pesquisas complementares, coisa de "ranço" acadêmico que trago na minha história de vida. Sempre fui pesquisadora, mesmo antes da universidade. A universidade só piorou (ou não) o que já existia de inato no meu modo de ver as coisas. Mas hoje, em especial, sinto necessidade de fazer um relato de cunho mais pessoal, sem bases teóricas (não prometo que a postagem será toda assim, mas não é esse o objetivo principal hoje).

Quando iniciei esse blog eu tinha 2 anos de desenvolvimento mediúnico consciente. Digo consciente, porque a minha primeira experiência em um desenvolvimento foi 9 anos antes, aos 19 anos, na casa de umbanda que minha mãe frequentava na assistência desde a minha infância. O fato é que eu tinha crescido indo naquele terreiro toda semana e fiquei sem graça de dizer "não" quando falaram na minha entrada para o corpo mediúnico e eu ganhei de presente a roupa, e tudo o mais que era necessário para o meu ingresso. Fiquei um ano no desenvolvimento e me afastei. Me afastei porque depois de um tempo no desenvolvimento (sem nunca ter incorporado nenhuma entidade por medo) me colocaram para no trabalho de cura. Perguntei "por quê", e apenas me disseram que era ali o meu lugar. Nos trabalhos de cura não tinha incorporação, então eu estava razoavelmente tranquila, muito embora o que eu queria mesmo era ser cambona na sessão de consulta de preto-velho. Mas, disseram que a cura era o meu lugar. Chegando no trabalho de cura, me explicaram quais gestos eu deveria fazer, mas também não me explicaram porque. Disseram apenas para que eu confiasse, pois teria algum guia espiritual ao meu lado atuando através de mim. Assim fui até notar que sempre estava presente uma senhora com a foto da filha. Um dia, descobri que a filha dessa senhora estava com câncer terminal no hospital, razão pela qual não poderia ela mesma ir ao centro para as sessões. Aquela foi a minha última sessão de cura. Não dava para continuar. Aquela senhora estava depositando toda a confiança dela no trabalho dos médiuns daquela sessão e eu, com 19 anos, não tinha a mínima ideia do porquê e o quê exatamente eu fazia lá. Assim eu me afastei do centro antes de completar 20 anos.

Anos depois ao decidir retomar um desenvolvimento, não cabe aqui expor a razão,  o fiz de forma bem mais consciente e não o fiz sem antes pesquisar bastante a respeito para driblar meus medos. Li sobre processo de incorporação, mediunidade, tipos de mediunidade, etc. E já era bem mais fácil achar material sobre o assunto, pois a internet já estava popularizada. Comecei em um centro em Vila Isabel (e era lá onde eu estava quando comecei esse blog), que descobri depois ser o terceiro centro mais antigo do RJ. Lá encontrei muitas coisas boas, e outras também muito ruins. Das coisas boas lembro do caboclo que me batizou, da minha madrinha, do meu batismo, do "encontro" com o preto velho que trabalha comigo e que me levou até lá, de como aquela decisão era importante e finalmente fazia sentido pra mim. Uma das coisas boas que lembro era de um médium bem antigo de lá, Sr. João, que mesmo quando eu não precisava sempre vinha conversar comigo. Lembro de uma vez que voltando da PUC, onde eu tinha terminado o mestrado e estava voltando de uma palestra, encontrei com ele no ônibus da forma mais estapafúrdia que se possa imaginar. Em viagens de ônibus eu sempre me desligo, então não vi que ele tinha sentado do meu lado. Na verdade ele também não me chamou. O que eu sei é que eu estava distraída, sentada na janela com fones de ouvido e um rock no máximo, quando comecei a sentir alguns arrepios. Lembro de ter pensado: "tô doida de vez! Sentindo vibrações no ônibus!" Foi quando eu me ajeitei no banco tentando me desvencilhar da sensação é que o vi do meu lado. E na mesma hora começamos a conversar naturalmente, como se o encontro ocasional no ônibus tivesse sido programado. Tanto o encontro, quanto a conversa, foi algo muito estranho e até hoje me assusta um pouco lembrar disso! Eu tinha uns dois meses na casa quando esse encontro aconteceu. O Fato é que depois desse encontro, todas as vezes o S. João, ou o guia dele vinha me auxiliar e me aconselhar. Destaco o fato que de todos os médiuns da casa ele era o único que trabalhava diretamente com um "mestre do oriente", que mesmo sem que eu pedisse, sempre vinha me ajudar e me dar conselhos. Uma das coisas que o guia dele todas as vezes destacava, com certa insistência, era que eu deveria trabalhar não só na umbanda, mas também em um lugar que fizessem trabalhos de cura espiritual.  

Essa insistência me incomodava bastante por algumas razões: a primeira era o meu ceticismo inato que não me permitia acreditar em todas as coisas que o mestre me dizia. Algumas delas eu considerava mesmo exageradas e inverossímeis. A segunda era o fato dos trabalhos de cura, com mestres, etc., estarem quase todos ligados ao espiritismo. Eu tinha graves problemas com os espíritas. Muito embora eu tivesse buscado no Livro dos Médiuns de Kardec explicações para o que eu vivia, eu detestava espíritas, pois todos os espíritas kardecistas mais fervorosos que conheci na vida eram pessoas muito, mas muito ruins e hipócritas. Para mim, na época, o espiritismo era o local onde a "contradição performativa" acontecia de forma mais veemente e, por isso, queria distância dele. O terceiro motivo é que a minha experiência de anos antes era muito viva para que eu pensasse no assunto "cura". Apesar disso, guardo imenso carinho pelo S. João e pelo Mestre dele, pois eu sempre soube, no fundo, que essas três coisas eram problemas meus que eu teria que driblar. Sinto carinho e guardo como uma recordação boa, pois eles (S. João e o Mestre) eram dos poucos que me aceitavam ali dentro, que tentavam me orientar com zelo e que cuidavam de mim. Alguns anos depois soube que a filha dele fizera parte do mesmo centro e que apresentava uma mediunidade bem parecida com a minha. Soube, também, que ela havia sido rejeitada e destratada pelos demais da casa da mesma forma como acontecera comigo lá. Sabendo disso, entendi a razão da preocupação intensa do S. João comigo desde a minha entrada na casa. 

Comecei esse blog quando eu tinha 2 anos na religião. Muito embora seja pouco, minhas experiências foram bem marcantes e me amadureceram rapidamente. Claro que a "veia" de pesquisa me ajudou muito, mas muito do exposto aqui foi orientado por questões que eu tinha na época. Depois do começo desse blog já saí de 2 terreiros e estou no terceiro. Nas duas primeiras casas vivi situações que me marcaram muito, no sentido negativo. Entrei para o terreiro onde estou há quatro anos pela simples necessidade de estar integrada a uma corrente, não por convicção. Era melhor estar em algum lugar que em nenhum, mesmo que a minha vontade fosse, novamente, de sumir da umbanda. Mas eu já tinha vivido o suficiente para saber que a fuga não era o ideal, então encarei um novo desafio, uma nova casa, já quase na certeza de que se eu abrisse a boca para falar sobre minhas vivências eu sofreria, novamente, tudo o que já havia sofrido anteriormente. Então entrei muda, estranha, alheia e compenetrada apenas em mim mesma, fingindo que eu era "tábula rasa". Não foi fácil, tanto que depois de 6 meses me afastei e fiquei fora por 3 meses. Ninguém perguntou as razões do meu afastamento, nem me procurou ou veio falar comigo. Eu também não estranhei, porque eu não falava com ninguém, além de uma amiga (desde o primeiro terreiro e que também estava lá) que na época também estava afastada por causa da gravidez. Simplesmente fui retirada dos grupos de contato e me dei conta já um mês depois disso ter ocorrido. Não estranhei e nem fiquei triste, era melhor o silêncio que as experiências anteriores. Sei que meses depois desse silêncio, fui novamente "despertada" por uma outra amiga, de outra casa em uma conversa. Resolvi que era hora de voltar as atividades do centro. Escrevi ao dirigente solicitando meu retorno as atividades. Ele pediu que eu passasse por algumas correntes na assistência e por uma sessão de mesa. E eu acho que foi nesse momento que uma "nova história começou a ser escrita".

Eu lembro da primeira vez que fui na sessão de mesa, antes de retornar aos trabalhos no terreiro. Foi estranho, mas ao mesmo tempo ótimo. Mesmo com todas as minhas reticências às sessões de mesa que remetessem ao espiritismo, saí com uma sensação de bem estar tão grande que senti, intimamente vontade de participar das sessões, mas como médium. Quando retornei e soube que uma vez a cada mês os médiuns deveriam participar das sessões de mesa, fiquei feliz, muito embora com receios. Tudo por causa de uma parte da sessão, após o estudo, onde alguns médiuns iam para a mesa de psicografia. Mas fui um dia lá para saber como era, esperando que eu não fosse para a mesa de psicografia. Ledo engano. Fui para a mesa, recebi uma mensagem, com nomes de pessoas e situações e senti medo de expor. Vai que era verdade? No final da sessão as pessoas liam as mensagens recebidas e eu não li. Conversei com o médium que dirigia a sessão, hoje meu padrinho na casa, para tirar algumas dúvidas, pois eu mesma não tinha certeza do que ocorrera ali. Um mês depois retornei e, dessa vez, encorajada pelo meu padrinho li a mensagem que recebi. Eu, desconfiada, enquanto lia prestei bem a atenção nas expressões que meu padrinho fazia e notei que era uma expressão diferente da que ele fazia na leitura de outras mensagem. Naquele dia mesmo, não sei porque, me senti à vontade para conversar com meu atual padrinho sobre a mediunidade, sendo que eu mal o conhecia na época. Depois eu fiquei dias preocupada, me questionando se deveria tê-lo feito, mas hoje não me arrependo.

Não tardou para que um compromisso mensal, se tornasse uma rotina semanal. Em parte por incentivo de meu padrinho, em outra parte por ter visto ali a chance de "doutrinar" algo que já tinha me criado muitos problemas. Era bom poder falar e trocar experiências sem ser julgada, ter alguém que ouvisse e procurasse, na medida do possível, ajudar e isso foi fundamental para mudar toda uma trajetória. As sessões de terreiro ainda eram o local onde eu me escondia por medo, mas nas sessões de mesa eu podia ser o que eu era sem medo, ou quase sem medo. Lá eu estava segura, enquanto em outros espaços da casa eu ainda não tinha plena segurança.

Eu era um bicho do mato quando cheguei lá, com medo até da sombra. E me espanta hoje ver como eu mudei nos dois anos que frequentei semanalmente aquela sessão. Ali aprendi a doutrinar a minha mediunidade. Fui tratada nas sessões de cura, recuperei meu equilíbrio e cicatrizei muitas feridas. Aprendi cromoterapia e descobri que trabalhar na cura era algo muito bom. Descobri que tenho realmente afinidade com esse trabalho, muito embora eu ainda seja estabanada em muita coisa, e que não era "viagem" daqueles que me alertaram sobre isso anteriormente, como eu pensava antes. A única coisa que lamento hoje foi ter perdido as chances de trabalhar com o mestre nas macas, se eu pudesse voltar no tempo, teria feito diferente. Lá encontrei amigos, deste lado e do outro. E encontrei os meus padrinhos, uma relação que foi construída por dois anos e, por isso, fiquei muito feliz de formalizar isso, esse ano, para todo o terreiro. Perdi um pouco da reserva em relação ao espiritismo, pois vi que espiritismo e umbanda podem caminhar juntos no mesmo espaço, que são complementares e, arriscaria dizer, até mesmo necessário que seja assim. E lamento que eu tenha visto tantos médiuns da mesma casa que eu, e de outras casas, que não consigam ver isso. Enfim, foram essas sessões que permitiram que eu, hoje, reconstruísse uma parte de uma história que até então eu não entendia.

E porque essa postagem hoje, porque hoje, diferente dos anos anteriores essa rotina de trabalho foi quebrada. Na verdade já estava quebrada, mas é sempre ao retomar uma rotina e hábitos que percebemos com mais força a falta. Em função de várias mudanças na casa, as sessões de cura acabaram e a sessão de mesa passou a ser uma vez no mês e não mais às segundas-feiras. Hoje é segunda-feira e senti falta da minha antiga rotina e foi isso que me fez refletir. E essa reflexão vai em duas direções: uma a tristeza de ter essa rotina modificada tão repentinamente; outra pela alegria de poder ter vivido esses dois anos ali. Por mais que a rotina não seja mais a mesma, que exista materialmente uma "falta", eu não sinto dessa forma. Hoje foi como reviver, tornar presente novamente os dois anos dessa rotina, analisar, rever, recompreender. E juntar peças que eram anteriores a essas sessões, mas que se não fossem elas eu não conseguiria juntar. Esses dois anos são eternos, porque sempre estarão presentes no que sou hoje. E por um bom tempo eu ainda retornarei as sessões de mesa nas segundas-feiras, mesmo que não seja mais materialmente assim. E por isso ao pensar em quanto eu mudei desde o começo desse blog, me espantei ao reler a fala com a qual comecei ele, porque hoje é desses dias de "soma de tudo o que foi". E hoje sei que "não me perdi no tempo" e sei com um pouco mais de certeza "para onde devo andar".

São coisas assim que fazem com que alguns momentos sejam eternos em si mesmos. 

Finalizo o post com uma música aparentemente boba do Tomaz Lima, que faz parte de um dos meus cacos não expostos aqui (senão ia virar memorial e não postagem de blog), mas que hoje também fazem mais sentido, a música e o caco (rs).


19 de fev. de 2014

Linha de Atendimento e suas funções (Parte I)

                 Recentemente ganhei alguns livros sobre umbanda e religiões afro brasileiras e, em um deles Rituais Negros e Caboclos de Nívio Ramos Sales, li algo sobre o qual eu discordei durante um bom tempo:

Na economia existe a lei da oferta e da procura, na umbanda, infelizmente, por diversos fatores, essa lei é usada como uma constante. O imediatismo, o agora é o predominante. O indivíduo busca respostas várias e solução de problemas que a sua sociedade não consegue responder, tampouco solucionar. 
             
            Eu sempre critiquei, e acredito que todo umbandista que ingresse em um terreiro aprende essa crítica, a busca de resultados imediatos para os problemas. Nem sempre a coisa acontece dessa forma e, em muitos casos essa acaba sendo a razão da descrença de muitos. Umbanda é magia, sim, mas não para se conseguir tudo o que se quer. Conseguir ou não o que se busca, depende de muitas variáveis e, na maioria dos casos, não basta ir uma vez a uma consulta com caboclos, pretos-velhos, ou exus. 
            Há no imaginário popular uma visão da umbanda como a prática de trabalhos para suas realizações, esse imaginário dá margem a muitos charlatões que acabam usando o nome de nossa religião para praticar trabalhos nada louváveis (amarrações, trabalhos para o mal, etc.) e até mesmo cria o espaço propício para que charlatões de diversos tipo se aproveitem dos interesses daqueles que acreditam ser essa a função da umbanda. 
            A briga entre umbandistas sérios e as pessoas que usam mal o nome da umbanda é grande, é longa e histórica. Não são poucos os livros de antropologia que destacam a umbanda como um "culto confuso" e sem definição. No livro Vovô Nagô e Papai Branco, que já comentei aqui, a Mãe de Santo do terreiro pesquisado do Recife diz que a umbanda é a religião que "tem muita invenção" [sic], além de ser a religião que "cobra dinheiro da irmandade"[sic]. Além dessa descrição, há a comparação entre a umbanda e as antigas macumbas cariocas que foram muito perseguidas por serem "religiões negras" -  no sentido literal, pois eram os negros que frequentavam; e no sentido metafórico, indicando que era uma forma de magia usada como vingança para perseguições e combate à inimigos.
             São muitas as causas da confusão que se faz ao pensar a umbanda como religião imediatista. No entanto, há algo na afirmação citada ao início desse texto que não é totalmente errada:  O indivíduo busca respostas várias e solução de problemas que a sua sociedade não consegue responder, tampouco solucionar. 
         O público que busca a umbanda é, hoje, muito diversificado. Ainda há a necessidade de esclarecer as pessoas que buscam a umbanda em relação à sua função, mas acredito que grande parte dessa visão estereotipada que mencionei aqui já está desfeita. Apesar disso, acredito que a afirmação de Nívio está correta, pois não são poucos os casos em que as pessoas que procuram um centro de umbanda pedem orientação, ajuda até mesmo para soluções jurídicas, buscam compreender sua condição. O público da umbanda, como disse, é bem diversificado. vai do pequeno empresário pedindo proteção e ajuda nos negócios, à faxineira, ao morador da favela que tenta driblar suas dificuldades diárias em relação à violência e falta de infraestrutura. Vai do mocinho ao bandido, e tudo isso seguido de um aconselhamento amigo das entidades que não julgam. Não veem cara, apenas o que há no coração das pessoas, tentando resgatar-lhes a autoestima, a força para continuar a caminhada. Para, muitas das vezes, resgatar a dignidade perdida em meio a tantas adversidades.
            Se há algo que o médiun de umbanda que vai para a linha de atendimento aprende muito rápido, ou pelo menos espera-se que aprenda, é que não se pode julgar as pessoas sem saber o que se passa no coração delas...
             Já fui muito contrária à falas como as de Nívio, pelas razões que aqui expus. Hoje repenso falas como essa e vejo que há, no fundo, uma razão de ser. Não que a umbanda vá resolver cada um dos problemas que chegam até ela, mas auxilia, acaba sendo um braço amigo que integra pessoas que são excluídas, que consola o sofrimento e resgata muitas vezes a dignidade que a sociedade não dá.
               Essa é a reflexão de hoje!


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

7 de nov. de 2013

A relação indivíduo, entidade de umbanda e terreiro.

Sônia reclamava muito de seus guias, inclusive de seu preto velho, o qual, quando incorporava, jogava-a no chão, machucando-a, e resolveu um dia não recebê-lo mais se ele continuasse a fazer isso. Seu meio problema, no entanto, era seus guias não falarem. Este fato significava que não possuíam, não incorporavam integralmente o cavalo, ficando apenas encostados nele. 
Essa preocupação de Sônia reafirma o que foi dito no capítulo II sobre a identidade do médium como pessoa. Essa identidade se constrói a partir da relação do cavalo com seus guias. Se essa relação não é completa, o médium perde a possibilidade de, através dessa máscara, ou seja, de seus guias, integrar seus diversos papéis sociais. Sônia não conseguia essa relação e, portanto, não conseguia definir sua identidade como pessoa [dentro do terreiro].
Maggie,Y; Guerra de Orixá, 3a. Ed. Ed. Zahar, 2001, pp. 102,103.

Já tem algum tempo que li o livro "Guerra de Orixás" da Yvonne Maggie. Na ocasião achei o livro tenebroso. Mas depois dos últimos acontecimentos percebo que tem boas deixas a pesquisa realizada pela Yvonne. Uma delas, e a meu ver o principal, é a forma como a identidade pessoal do médium se constrói dentro da religião (e algumas vezes fora, também). Essa questão aparece na parte final do livro e é descrita de duas formas: a) a identidade se constrói pela eficiência da relação do médium com seus guias; b) a identidade se constrói pelo reconhecimento do "poder" dos guias deste médium (e consequentemente, do médium) pelo grupo.

Quando se entra em um terreiro como médium é como se começássemos uma vida nova, onde todos os nossos conhecimentos anteriores podem ser colocados em cheque a qualquer momento. Por essa razão é aconselhável ao médium novo que mude a sua postura dentro do terreiro: que seja mais receptivo, observador, que tente prestar mais atenção naquilo que se aproxima. Digamos que haja, nessa ocasião, um novo aprendizado: aprender a lidar com as chamadas "intuições" e com as energias que se aproximam a fim de saber classificá-las como positivas ou negativas. Digamos que este seja o momento "0" (Zero) do processo de aprendizagem. Usando a metáfora do filósofo Locke, no momento inicial, na ocasião do ingresso do médium ao terreiro, este deverá ser como uma tábula rasa onde as energias que cercam o ambiente possam deixar suas impressões. Eu poderia entrar aqui em diversas questões que colocariam em jogo o uso dessa metáfora, como, por exemplo, o fato de Locke ser um empirista, filosofia que parece avessa ao tipo de coisa que trato aqui. Porém, há algo a ser experimentado neste momento "zero", mas que não se parece em nada, absolutamente, com o conceito de experiência tratada pelo empirismo filosófico. Importa que, para fins didáticos, a metáfora é útil para exemplificar o que pretendo dizer.

A etapa que se segue é: ele começa a receber a energia dos seus guias, mas ainda não as identifica. Em seguida, passa a identificá-las e diferenciá-las - a energia do caboclo é diferente da energia do preto velho - antes mesmo que o médium incorpore esses guias. Esta segunda etapa é fundamental para o bom desenvolvimento do relacionamento do médium com o terreiro que o acolhe. O bom médium é aquele que sabe dar passagem à entidade certa na hora certa. Estes dois tipos de aprendizados aqui descritos são comumente chamados de "doutrina", dada ao médium para ele não cometa gafes e nem desequilibre a energia da corrente na qual ingressa.

As duas etapas são fáceis de serem atravessadas se auxiliado por um bom Chefe de Terreiro. A terceira e quarta etapas, que descreverei agora, é que são a meu ver, as mais complicadas.

A terceira etapa é o processo de incorporação. Geralmente é a primeira a ocorrer com o médium no terreiro. Normalmente neste processo ocorrerá uma repetição gestual, que fará com que o médium identifique qual entidade está incorporando, e se essa incorporação ocorre no momento correto. Exemplo: pretos velhos vem curvados, caboclos mancam e atiram flechas, Ogum porta uma espada. A variação gestual será pequena entre os médiuns de um mesmo terreiro. Aliás, esta é uma coisa interessante a ser observada: geralmente, um médium que venha de outro terreiro, terá neste processo um gestual diferente, aprendido no seu terreiro de iniciação e que servirá para o médium, individualmente, para identificação da entidade.

A quarta etapa é quando o médium começa a receber informações a respeito de suas entidades. Normalmente este processo é o mais confuso, pois nem sempre o médium está seguro dessas informações. Muitas das vezes a certeza vem, ou de um processo de repetição da informação para o próprio médium, ou da confirmação via fala da entidade incorporada, junto ao chefe da casa. Na maior parte dos casos, a segunda forma é a que dá maior segurança ao médium. Ou seja, mesmo que o processo de repetição tenha ocorrido, o médium depende da afirmativa de outro para dar segurança e "validade" àquela informação. Isso vai desde a identificação da entidade, até informações sobre situações e procedimentos específicos. Já nesta etapa, podemos identificar a dependência que o médium tem em relação ao contexto "social" onde ocorre a transmissão da informação.

A questão é que, quando o médium muda de terreiro, o seu "contexto social" muda. Nesta mudança outras podem vir a ocorrer. Há relatos de médiuns que ao trocarem de terreiro, trocaram de entidades. Há médiuns que acabam perdendo a confiança em si mesmo, como a médium retratada por Yvonne em seu livro, tornando frágil a relação com as entidades que já conhecia anteriormente. Há outros que, por vaidade, se afastam por senti-la ferida.  O fato é que dificilmente um médium passa absolutamente ileso de um processo de mudança.

Uma das coisas que contribuem para isso é a forma como, geralmente, as casas recebem médiuns que já vem de outras casas. Eles nunca, ou quase nunca, começam em uma casa nova no mesmo estágio em que pararam antes. Faz parte de um procedimento das casas um período de adaptação e "conhecimento" deste médium, para observação, garantindo, por um lado, a manutenção da seriedade do trabalho das casas e, por outro, que o médium ingressante se mostre sério e digno da confiança da casa. Este momento inicial funciona como uma espécie de "filtro" que evita que pessoas mal intencionadas ou ditas vaidosas permaneçam e quebrem a força da corrente da casa.

A questão que levanto é: como conciliar a necessidade de manter a seriedade e o equilíbrio vibratório de uma casa, com a necessidade que o próprio médium possui de reafirmar sua mediunidade e relação com entidades? Principalmente, quando as informações que o próprio médium possuem acabam sendo legitimadas pela confirmação do chefe da casa anterior, como manter essa certeza neste período incial onde tudo é colocado em cheque?

A única resposta que vejo como possível para este caso é que os médium mudem as suas posturas em relação ao desenvolvimento. Que pensem menos em confirmações externas para as informações que suas entidades passam, que aprimorem a sua percepção em relação às energias que virão a sentir, para saber, ele mesmo, diferenciá-las sem necessidade de outrem.  É um caminho complicado, mas muito necessário nos dias atuais onde a variedade de terreiros é enorme, não apenas em número, mas em formas de pratica umbandista. Caso o médium consiga esse equilíbrio interno, independente da casa onde esteja, ficará mais fácil se adaptar à contingência de uma mudança de casa, caso seja o necessário. Claro que em certas situações é necessário poder contar com alguém mais experiente, mas o médium não pode perder de vista que, mesmo a pessoa mais experiente não carrega as mesmas energias e necessidades que ele próprio. Não se trata apenas de autoconhecimento, mas de dar uma chance a um relacionamento com as entidades que não seja totalmente dependente da aprovação prévia do terreiro, tal como sentia a médium retratada pela Yvonne em seu livro. Enfim, é mais um conselho, que uma conclusão definitiva.



27 de ago. de 2009

Os sonhos (Parte III)

De tudo o que falamos sobre o sonho e que até o momento foi APENAS teórico, vale destacar a função dele como mensagem: seja mensagem do incosciente, seja mensagem de origem sobrenatural.

Na umbanda muitas coisas são questionadas, a começar pelas formas rituais. Como não existe um "corpus" doutrinário, cada casa de umbanda é estruturada conforme as orientações da entidade fundadora, e, mantén características que tem sua origem muita das vezes na cultura e fundamentos trazidos pela entidade em seus aprendizados anteriores. Neste caso, podemos dizer que o "contato" é ancestral e traz ao presente coisas que foram esquecidas no tempo.

Muita gente começa a discutir esses fundamentos e acusam-se de falsários, ou de charlatões, mas se esquecem que somos fruto de uma cultura miscigenada e que é natural que certas casas (e suas entidades fundadoras) tendam mais para o indigena, outras mais para os africanistas e ainda aqueles que pregam um certo "orientalismo" que nem sempre possui origem kardecista.

O ato de "passar fundamentos" de entidade para médiun - tanto no âmbito da estruturação de uma casa, quanto no êmbito pessoal de desenvolvimento e aprendizado do médiun - é um meio de conservação da memória. Conservação de todas as práticas rituais que já existiram em diferentes momentos do tempo e que são trazidos para um presente por meio de sonhos, intuições, etc. Isso torna difícil o julgamento de "certo e errado" que muitos umbandistas se pretendem.

Basta observar: em um mesmo terreiro, temos entidades que se referem a Deus como Olorum, outras que se referem a Zambi (nomenclaturas diferentes, cuja origem na África pertence a regiões e cultos distintos). Do mesmo modo, temos caboclos que chamam seus consulentes de curumins, e outros que se referem apenas como "filho". Temos uma entidade que trabalhará com energias sutis e simples e outras que só sabem trabalhar com elementos materiais mais pesados. Entidades que fumam e outras não. Algumas só precisam de uma vela e um copo d'água, outras precisam de ervas e ainda há aquelas que precisam de sementes para suas firmezas. Uma entidade dirá para você rezar pra Santo Antônio, outra pedirá uma firmeza para exu. Mas no fundo os significados e sentidos se assemelham, ambas almejam a proteção do consulente.
Há ainda entidades que falarão íntimamente a seus médiuns de Orixás que já não são mais cultuados hoje, mas que elas cultuaram, e, neste caso, a linguagem será adaptada para o convívio social do terreiro. Porém, a memória desses Orixás não se perdem de todo, são conservadas na intimidade do médiun, que certamente aprenderá a usar a energia daquele orixá esquecido, mas sob um novo nome que será melhor aceito na comunidade.

A umbanda, na verdade, é o lugar da memória. Onde TODAS as memórias se mantém vivas. A beleza da umbanda reside justamente em um duplo aspecto: o aprendizado coletivo como demarcando um Lugar para a memória acontecer, e o pessoal onde cada uma das culturas, cada individualidade, sobrevive a ação do tempo e do espaço.

Os sonhos são, muitas vezes, o local ideal para a transmissão dessas mensagens, dessas individualidades de forma detalhada, já que a correria do dia-a-dia do mundo moderno faz com que naturalmente tenhamos pouco tempo a dedicar para o labor mediúnico. Sem contar que nos sonhos, nossos egos são parcialmente desligados, e com eles parte de nossos preconceitos. Tudo isso é previsto pela psicologia que nos diz que parte de nossa censura consciênte é eliminada nos sonhos. Com isso nossos guias, mentores, entidades e ancestres conseguem nos transmitir o necessário, sem que interfiramos ou critiquemos.

Me referi a um documentário, na postagem anterior, que é um exelente exemplo disto. Passo ele agora para o baú:

A'uwê - Moyngo - O Sonho de Maragareum











O Vídeo é um documentário onde algo muito comum a cultura indígena nos é passado, ainda mais em tempos onde a cultura "original" começa a se perder: Maragareun sonha com seus antepassados e estes mostram como certos rituais aconteciam e devem ser realizados. Ou seja, é por meio do sonho, do inconsciente, que a cultura indígena mantém a sua conservação. É por meio do sonho que a memória cultural se conserva.

BOM FILME!

26 de ago. de 2009

Os sonhos (Parte II)

Há na história humana vários relatos de mensagens transmitidas por sonhos. Mensagens vinda de um lugar misterioso, de seres misteriosos, de ancestrais e Deuses. Até mesmo no catolicismo a narrativa de pessoas que tiveram "revelações" pode meio de sonhos existem.

Jung ao estudar as religiosidades, destaca este aspecto histórico do sonho e confronta com a nossa realidade atual e cética, que descarta qualquer possibilidade de ver neles algum tipo de mensagem ou conhecimento:

Quando na epopéia babilônica Gilgamesh provoca os deu­ses com sua presunção e sua hybris, estes inventam e criam um homem tão forte como Gilgamesh, a fim de pôr termo às ambições do herói. O mesmo acontece com nosso paciente: é um pensador que pretendia ordenar continuamente o mundo com o poder de seu intelecto e entendimento. Tal ambição con­seguiu pelo menos forjar seu destino pessoal. Submeteu tudo à lei inexorável de seu entendimento, mas em alguma parte a natureza se furtou sorrateiramente, vingando-se dele, sob o dis­farce de um disparate absolutamente incompreensível: a idéia de um carcinoma. Este plano inteligente foi tramado pelo in­consciente, para travá-lo com cadeias cruéis e impiedosas. Foi o mais rude golpe desferido contra seus ideais racionais e principalmente contra sua fé no caráter onipotente da vontade humana. Tal obsessão só pode ocorrer num homem acostumado a abusar da razão e do intelecto para fins egoístas.

Gilgamesh, entretanto, escapou à vingança dos deuses. Teve sonhos que o preveniram contra esses perigos e ele os levou em consideração. Os sonhos lhe mostraram como vencer o ini­migo. Quanto ao nosso paciente, homem de uma época em que os deuses foram eliminados e até mesmo passaram a gozar de má reputação, também teve sonhos, mas não os escutou. Como um homem inteligente poderia ser tão supersticioso a ponto de levar os sonhos a sério? O preconceito, muito difundido, contra os sonhos é apenas um dos sintomas da subestima muito mais grave da alma humana em geral. Ao magnífico desenvolvimento científico e técnico de nossa época, correspondeu uma assus­tadora carência de sabedoria e de introspecção. É verdade que nossas doutrinas religiosas falam de uma alma imortal, mas são muito poucas as palavras amáveis que dirige à psique hu­mana real; esta iria diretamente para a perdição eterna se não houvesse uma intervenção especial da graça divina. Estes im­portantes fatores são responsáveis em grande medida — em­bora não de forma exclusiva —, pela subestima generalizada da psique humana. Muito mais antigo do que estes desenvolvi­mentos relativamente recentes são o medo e a aversão primi­tivos contra tudo o que confina com o inconsciente. (C.G. JUNG - Psicologia e Religião)


Os sonhos na verdade, desde muito tempo são fontes de informações, seja sobre nós mesmos, seja oriundas de "espíritos e Deuses". Segue ainda uma passagem do mesmo texto de Jung e que mostra como a influência da mentalidade ocidental afetou muitas culturas primitivas no que tange a consideração dos sonhos:

A vida do primitivo é acompanhada pela contínua preocupação da possibilidade de perigos psíquicos, e são numerosas as tentativas e procedimentos para reduzir tais riscos. Uma ex­pressão exterior deste fato é a criação de áreas de tabus. Os inumeráveis tabus são áreas psíquicas delimitadas que devem ser religiosamente observadas. Certa vez em que visitava uma tribo das vertentes meridionais do Monte Elgon, cometi um erro terrível. Durante a conversa, quis indagar acerca da casa dos espíritos que muitas vezes encontrara nas florestas, e men­cionei a palavra selelteni, que significa "espírito". Imediata­mente todos se calaram e eu me vi em apuros. Todos desviavam a vista de mim, que pronunciara, em voz alta, uma palavra cuidadosamente evitada, abrindo com isto o caminho para as mais perigosas conseqüências. Tive que mudar de assunto, a fim de poder continuar a conversa. Eles me garantiram que nunca tinham sonhos, privilégio do chefe da tribo e do curandeiro. Este último logo me confessou que não tinha mais sonhos, pois em seu lugar a tribo tinha agora o comissário do distrito. "Depois que os ingleses chegaram ao país, não temos mais sonhos — disse ele —; o comissário sabe tudo a respeito das guerras, das enfermidades, e onde devemos viver". Esta estranha afirmação se deve ao fato de que os sonhos anterior­mente constituíam a suprema instância política, sendo a voz de mungu (o numinoso, Deus). Por isso seria imprudente para um homem comum deixar surgir a suspeita de que tivesse sonhos.

Interessante notar acima que, nas culturas primitivas eram dos sonhos do curandeiro e do chefe que vinham a ordenação social e política daquela cultura. O sonho, neste caso, servia como meio de apreensão de normas e condutas passadas aos mais velhos por seus ancestrais. Um exemplo interessante disso encontramos em um documentário sobre uma tribo indígena brasileira, que colocarei aqui no Baú na próxima postagem.

A questão é, a humanidade de forma geral, em diversas e diferentes culturas, sempre consideraram os sonhos como fonte de conhecimentos e meios de receber mensagens do mundo misterioso que desconhecemos quando da vigília:

Os sonhos são a voz do desconhecido, que sempre está ameaçando com novas intrigas, perigos, sacrifícios, guerras e outras coisas molestas. (...) Há inúmeros ritos mágicos cuja única finalidade é a defesa contra as tendências imprevistas e perigosas do inconsciente. O estranho fato de que o sonho representa, por um lado, a voz e a mensagem divinas e, por outro, uma inesgotável fonte de tribulações, não perturba o espírito primitivo. Encontramos resquícios deste fato primitivo na psicologia dos profetas judeus. Muitas vezes eles hesitam em escutar a voz que lhes fala. E — é preciso admitir — não era fácil para um homem piedoso como Oséias casar-se com uma mulher pública, para obedecer a ordem do Senhor. Desde os albores da humanidade observa-se uma pronunciada propensão a limitar a irrefreável e arbitrária influência do "sobrenatural", mediante fórmulas e leis. E este processo continuou através da história, sob a forma de uma multiplicação de ritos, instituições e convicções. Nos dois últi­mos milênios a Igreja cristã desempenha uma função mediadora e protetora entre essas influências e o homem. Nos escritos da Idade Média não se nega que em certos casos possa haver uma influência divina nos sonhos, mas não se insiste sobre este ponto, e a Igreja se reserva o direito de decidir, em cada caso, se um sonho constitui ou não uma revelação genuína.

Num exce­lente tratado sobre os sonhos e suas funções diz Benedictus Pererius S. J.: "Com efeito, Deus não está ligado às leis do tempo e não precisa de ocasiões determinadas para agir, pois inspira seus sonhos em qualquer lugar, sempre que quiser e a quem quiser". A passagem seguinte lança uma luz interes­sante sobre as relações entre a Igreja e o problema dos sonhos: "Lemos com efeito, na vigésima segunda Colação de Cassiano, que os antigos mestres e guias espirituais dos monges eram versados na investigação e interpretação cuidadosas da origem de certos sonhos". Pererius classifica os sonhos da seguinte maneira: ... "muitos são naturais, vários são humanos e alguns podem ser divinos". Os sonhos têm quatro causas: 1) doença física; 2) afeto ou emoção violenta, produzidos pelo amor, pela esperança, pelo medo ou pelo ódio; 3) o poder e a astúcia do demônio, isto é, de um deus pagão ou do diabo cristão. (...) ; 4) sonhos enviados por Deus. Relativamente aos sinais que indicam origem divina de um sonho diz o autor “...sabemo-lo pelo valor das coisas manifestadas no sonho, ou seja: se, graças a esse sonho, a pessoa fica sabendo de coisas cujo conhecimento só poderia ser alcançado por uma concessão ou dom especial de Deus. Trata-se dos fatos que a Teologia das escolas chama de futuros e daqueles segredos do coração encerrados no mais recôndito da alma escapando por completo ao conhecimento humano e, finalmente, dos mistérios supremos de nossa fé, que não podem ser conhecidos senão por revelação do próprio Deus (!!)..." Por último, chega-se ao conhecimento de seu caráter (divino), principalmente por uma iluminação e uma comoção interior mediante a qual Deus aclara a mente do homem e toca a sua vontade de tal modo, que o convence da veracidade e autenticidade de seu próprio sonho; reconhece também Deus como seu autor, com uma certeza e evidência tão grandes que é obrigado a acreditar, sem a mínima sombra de dúvida".

Estas citações são úteis para mostrar que, longe do que parece, considerar os sonhos como meio de contato com realidades e conhecimentos de origem "sobrenatural" não é novo. Ao contrário, é quase tão antigo quanto a própria humanidade. A inovação Espírita está apenas no fato de tentar estudar sistematicamente os sonhos como elementos mediúnicos, ou seja, de contatos com espíritos.

Coisa curiosa de se notar na última citação, é que os sonhos quando possuem sua origem em um contato "divbino", vêm acompanhados com uma sensação de certeza íntima e absoluta despertada na mente. Não acho que essa característica seja apenas acidental, ou que seja apenas uma descrição "romântica" que vise marcar a distinção entre os sonhos comuns e Místicos. Acho que cada um de nós, ao termos certos sonhos, devemos investigar intimamente as sensações que ele trouxe e depois avaliar internamente a possibilidade de considerarmos "reais ou quiméricos".

Por mais racionais que sejamos, sempre há o que nos escapa a razão, o que apenas pode ser sentido e não falado, nem transmitido por palavras. Há certos sentimentos que acompanham tais sonhos e estes não devem ser ignorados, pois são eles que nos permitem decifrar intimamente o seu significado e a importância que tem em nossas vidas, que são apenas nossas e de mais ninguém. Pois ninguém pode viver a vida do outro, sentir o sentimento do outro e pensar pelas idéias do outro. Há uma espécie de "sentido privado" nestes sonhos que nenhuma teoria pode decifrar de forma adequada, mas apenas apontar...

Porém os sonhos não são Apenas um meio de contato nosso com espíritos. Lembremos que somos uma alma imortal e, segundo premissas estabelecidas pelas religiões espiritualistas, com várias e várias encarnações. Portanto, não somos apenas o nosso Ego atual, mas a soma de todos os egos que já tivemos e que constintui um sentido de "EU" muito superior àquele proferido na auto-referência cotidiana. A psicologia quando aponto os sonhos para o incosnciênte, não erra. Pois estes vários egos que já existiram, pertencem muitas das vezes a esta esfera psicológica a qual os sonhos tem acesso. Em certas ocasiões podem nos ocorrer sonhos que remetam a qualquer destes egos perdidos, ou até mesmo um contato com este EU maior, sem a interferência de nenhum ego.... Porém isso é tema para outra postagem.

Assim que eu conseguir melhor compreender essas relações eu as colocarei aqui no baú.



Quem quiser baixar o Livro Psicologia e Religião do Jung citado nesta postagem basta clicar AQUI.




Os sonhos (Parte I)

Os sonhos são muitas vezes ignorados pela maioria das pessoas. Também pudera, grande parte das pessoas absorveram a concepção freudiana de que os sonhos nos representam idéias e desejos presos no inconsciente.

Porém, ao se ingressar em uma religião como a umbanda, candomblé ou espiritismo, grande parte desses conceitos já culturalmente arraigados no nosso modo de vida devem ser revistos. Não importa se a pessoa é médiun dentro do terreiro ou se é apenas um indivíduo comum. Deverá rever este conceito de sonho que lega a eles um papel muitas vezes secundário em nossas vidas.

Os sonhos permitem a nós, segundo as doutrinas espiritualistas, um religar com o mundo que conscientemente desconhecemos, mundo que pertence a nossos guias, Orixás, encestrais, mundos internos, verdades internas que nada de ilusório são. Retratam, as vezes, verdades esquecidas no nosso consciente comum da vigília, mas que resistem e existem intependente de nossa vontade.

São nos sonhos que, grande parte das vezes, nos são passadas mensagens, aprendizados, a respeito de nós mesmos e da espiritualidade. Em parte a psicologia tem razão, mas devemos entender por incosnciênte, algo totalmente diferenciado dela. Inconsciênte pode remeter a consciência mais ampla que possuimos, mas que o ego faz apagar no dia a dia.

Sonhar, segundo Kardec, é "Emancipar a Alma" (ver: capítulo 8 da Parte II do Livro dos Espíritos). No entanto as formas pelas quais podemos podemos emancipar nossa alma excedem as descritas no texto de kardec: 1) podemos nos emancipar do ego e por meio dos sonhos ter contato com outras identidades nossas, de vidas anteriores ou mesmo uma identidade superior onde se revela o que somos independentemente do nosso ego; 2) podemos emancipar nossa alma do corpo e manter o ego, neste caso podemos viajar junto a outros espíritos emancipados, ver locais novos, ter novas aprendizagens. Acredite, este meio é muito utilizado por entidades e guias espirituais. As vias mencionadas não são as únicas, existem muitas outras maneiras. Os sonhos são até hoje tema de pesquisa tanto em neurociência quanto nas searas espíritas. E quando as duas se encontram, nossa! São tantos meandros técnicos e formas distintas de explicar o fenômeno dos sonhos que jamais poderíamos esgotá-lo em um único post.

As investigações sobre os sonhos adquirem novos nomes, também: Projeciologia, expanção da consciência, até mesmo a famosa "meditação" pode servir de portal para experiências e contatos oníricos.

Mas o que importa destacar aqui sobre os sonhos?

Importa destacar que, ao contrário do que julgam algumas teorias psicológicas nem todos os sonhos são fragmentados e desprovidos de sentidos. por vezes podemos ter sonhos com início, meio e fim. Tais sonhos, muitas das vezes, trazem informações preciosas sobre nós mesmos e/ou sobre nossas entidades. Categorias como vivacidade, além da coerência, podem ajudar a identificar os sonhos que possuem algum conteúdo interessante daqueles que são meras composições arbitrárias da memória. Quem já não despertou de um sonho com a sensação física deste sonho? Este é um traço de "vivacidade" que pode caracterizar uma projeção durante o sono, ou algum contato com orientadores espirituais.

A interpretação desses sonhos cabe a cada "autor". Ou seja, a pessoa que teve tal sonho e apenas a ela, pois muitas vezes eles tratam de experiências pessoais, ou aprendizados que dizem respeito apenas ao indivíduo que sonha.

Muitas vezes estes sonhos nos parecem sem sentido imediatamente, mas o tempo cuidará de trazer eventos que nos mostrem o sentido que tais sonhos possam ter.

Seguem algums artigos que podem ajudar a compreender a questão dos sonhos, segundo a doutrina espírita:





Porém, fiquemos atentos, pois, na realidade, nada do que hoje podemos estudar no espiritismo sobre os sonhos é novo na história humana!

A doutrina espírita apenas ajuda a compreender melhor este fenômeno já muito conhecido e estudado na história humana.