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27 de mar. de 2017

As Nações do Rio de Janeiro

Documentário interessante que encontrei sobre as nações de candomblé do Rio de Janeiro. O que me chamou a atenção em particular foi a fala do Ferreti acerca da prática da Cabula no RJ pós abolição da escravatura. Muito embora a fala seja breve, explica a razão da separação entre candomblé e "umbanda" (na época, cabula) por meio da separação entre centro urbano e subúrbios.




26 de jan. de 2016

Documentário Devoção

Fazendo um revisão do Blog e de todas as coisas que li e assisti desde então, me espantei com o fato de não ter ainda colocado aqui nenhum parecer sobre o documentário Devoção de 2008, dirigido por Sérgio Sanz. Me espanta porque já vi esse documentário várias vezes, o que significa que ele está na lista dos bons documentários sobre sincretismo e religiões afro-brasileiras.

Lembro que ao assistí-lo pela primeira vez me chamou a atenção, em especial, a escolha de Santo Antônio para exemplificar a forma como o sincretismo se construiu e se constrói na religiosidade brasileira desde os tempos coloniais. Não preciso explicar aqui as razões pelas quais Santo Antônio é querido por mim, já expliquei isso alguns anos atrás nessa postagem aqui.

Considero um bom documentário para quem busca entender as origens do sincretismo. Segue o Vídeo:



Há também esse endereço com o filme em melhor resolução:
https://www.youtube.com/watch?v=GzNA9JP45G8

Para quem deseja ler um pouco mais sobre o papel de Santo Antônio no Brasil colonial, bem como se inserir um pouco mais no imaginário "místico" da época, recomendo a leitura complementar do artigo: Santo Antônio na América Portuguesa: Religiosidade e Política.

8 de fev. de 2015

Intolerância Religiosa - Parte II - As Relações de Poder

Quem nunca ouviu a frase "política e religião não se misturam"?

Quem pensa isso se engana! Toda a história de repressão às religiões de matriz africana passa, também, pelas relações de poder entre dominador e dominado, entre o senhor e o escravo. 

Na postagem anterior mencionei o caso carioca do Juca Rosa. Sobre a figura dele pairava um ar de mistério e de poder, poder concedido por conhecimentos mágicos de "feitiços". Uma das causas da prisão de Juca Rosa, muito embora não pudesse constar nos autos, era essa relação de temor e poder que o colocava como subjugador de seus seguidores.


Além do caso de Juca Rosa, temos na literatura a descrição do Pai Raiol, feiticeiro, no romance "As Vítimas Algozes" de Joaquim Manoel de Macedo, escrito em 1869, antes da abolição da escravatura. O ponto de partida do autor é a escravidão como algo que corrompe a essência do negro. O negro se torna mau, cruel, como uma consequência dos maus-tratos da escravidão e, por isso indigno da confiança de seu senhor. O negro escravo, por causa da sua condição, sempre será aquele que conspira contra o seu senhor. Não é diferente no caso do Pai Raiol. Pai Raiol é um negro que conhece rezas e segredos das ervas e que com isso dominava outros negros e era temido por eles. Descrito como um "bruxo", capaz de matar só com um olhar qualquer um que atrapalhasse seus planos, Pai Raiol se envolve em uma trama cujo objetivo é tomar a fazenda do seu proprietário. Em resumo, Joaquim Manoel de Macedo, descreve o negro bruxo como capaz de tomar o poder de seu senhor. Na trama, Pai Raiol não consegue seus objetivos, mas não porque seu poder fosse falho, mas porque é assassinado por um outro escravo. Mas, antes desse assassinato consegue destruir a família do seu senhor, retirar-lhe a dignidade fazendo-o se envolver e ter filhos com uma escrava e dando-lhe ervas venenosas que o colocaram fraco e doente. Enfim, Pai Raiol teria conseguido seu objetivo se não o tivessem assassinado.

Na história temos a Revolta dos Malês, que completa 180 anos este ano. Negros, principalmente muçulmanos, mas também alguns nagôs, se reuniram em um levante que pretendia instaurar um governo malê em Salvador. Um dos fatores que possibilitou a realização desse levante, foi o fato de serem os malês, negros instruídos. Sabiam ler e escrever em árabe, o que evitou que o movimento fosse descoberto antes do tempo. Em reportagem recente do Jornal O Globo, "Revolta dos Malês, 180 anos" é dito:

De acordo com historiadores sobre o tema (não gosto dessa expressão, porque sempre quero saber quais historiadores disseram) a Revolta dos Malês foi fortemente reprimida. Das seis centenas de revoltosos, 73 foram mortos em enfrentamento, além de dez oponentes ao levante. Os derrotados foram condenados a penas de açoite, prisão, banimento e até morte. A partir dali, a população africana passou a ser submetida a uma vigilância e repressão abusivas.

Dizem, também, que os Malês eram "bruxos", os ditos kimbandas, como também já publiquei aqui no blog. Pairavam sobre eles, segundo João do Rio, o mesmo ar de mistério que cercavam figuras como Juca Rosa e o personagem Pai Raiol.

Esses exemplos mostram como a relação entre a proibição da prática de rituais africanos e, consequentemente, os rituais que mantém essa matriz africana no Brasil, está intimamente ligada com a relação de poder entre o negro e o branco. Retirar do negro a sua prática religiosa, colonizá-lo, era também uma forma de impedir que o negro, seja por atuação em rebeliões, seja por magia, pudesse tomar o poder dos brancos.  Se buscarmos na história do Brasil, vemos que muitas das organizações religiosas negras tiveram, também, como função, organizar os negros na luta pela liberdade e autonomia, como por exemplo, a irmandade da Boa Morte. 

Enfim, as organizações religiosas negras e a perseguição a elas sempre esteve ligada à relações de poder e, consequentemente, a políticas que visavam coibir o negro escravo e manter o poderio branco. Então, por qual razão hoje afirmamos, com tanta veemência, que política e religião não se misturam? Por que questionamos tanto políticos que levantem a bandeira das religiões afros? E por que não questionamos quando algum político se elege sob a bandeira cristã? Por que, mesmo tendo partidos como o PSC (Partido Social Cristão) elegendo candidatos, insistimos na ingênua ideia de que vivemos em um país laico? Por qual razão casos de agressões à terreiros são tratados de forma diferenciadas pela polícia e pelo poder público em geral?

A resposta à essas questões envolve, novamente, a cultura que já ficou enraizada no inconsciente de grande parte das pessoas: catolicismo, cristianismo são normais, enquanto que as religiões de matriz afro são "negras", são mágicas e envolvem poderes desconhecidos os quais devem ser temidos! O que não é posto de forma consciente, e que subjaz essa ideia, é o fato dela expressar uma relação de poder, consequentemente, uma relação política.

Essa diferença entre as religiões afro e brancas, exprimem antigas diferenças entre senhores e escravos, que eram relações políticas. A diferença entre as religiosidades expressa, ainda hoje, as diferentes relações de poder da época da escravidão no Brasil. Sim, ainda hoje! Ainda hoje vemos praticantes da umbanda viverem como viviam as mulheres da Irmandade da Boa Morte na Bahia: na frente a igreja, atrás, nos fundos, o candomblé, a matriz africana! Essa diferença entre dominador e dominado ainda é uma realidade, infelizmente, nos dias de hoje. Espero que um dia eu veja isso mudar!

Ainda sobre as relações entre religião e poder, posto abaixo dois documentários interessantes que podem ajudar na reflexão sobre o tema:

Irmandade da Boa Morte:

Parte 1: 





Parte 2: 





Parte 3: 






Alagoas: O Quebra de Xangô:















28 de jan. de 2015

Pai Antonio

Uma das bênçãos que a internet e a tecnologia nos proporciona é encontrar pérolas como esse vídeo com o áudio de uma fala do Pai Antônio incorporado no Zélio de Moraes.

Mesmo que eu diversas vezes questione a Zélio como "criador" da umbanda, é incontestável a importância dele e de seus guias para a formação da religião como temos hoje em dia. Sem dúvida esse é um áudio que vale à pena ser ouvido! Eu fiquei muito feliz quando me mostraramm, pois tenho enorme devoção pela falange de Pai Antônio. Na verdade, tenho devoção por todos os pretos velhos, mas a falange de Pai Antônio é algo especial para mim.

Segue a relíquia:




Até a próxima!



19 de fev. de 2014

Linha de Atendimento e suas funções (Parte I)

                 Recentemente ganhei alguns livros sobre umbanda e religiões afro brasileiras e, em um deles Rituais Negros e Caboclos de Nívio Ramos Sales, li algo sobre o qual eu discordei durante um bom tempo:

Na economia existe a lei da oferta e da procura, na umbanda, infelizmente, por diversos fatores, essa lei é usada como uma constante. O imediatismo, o agora é o predominante. O indivíduo busca respostas várias e solução de problemas que a sua sociedade não consegue responder, tampouco solucionar. 
             
            Eu sempre critiquei, e acredito que todo umbandista que ingresse em um terreiro aprende essa crítica, a busca de resultados imediatos para os problemas. Nem sempre a coisa acontece dessa forma e, em muitos casos essa acaba sendo a razão da descrença de muitos. Umbanda é magia, sim, mas não para se conseguir tudo o que se quer. Conseguir ou não o que se busca, depende de muitas variáveis e, na maioria dos casos, não basta ir uma vez a uma consulta com caboclos, pretos-velhos, ou exus. 
            Há no imaginário popular uma visão da umbanda como a prática de trabalhos para suas realizações, esse imaginário dá margem a muitos charlatões que acabam usando o nome de nossa religião para praticar trabalhos nada louváveis (amarrações, trabalhos para o mal, etc.) e até mesmo cria o espaço propício para que charlatões de diversos tipo se aproveitem dos interesses daqueles que acreditam ser essa a função da umbanda. 
            A briga entre umbandistas sérios e as pessoas que usam mal o nome da umbanda é grande, é longa e histórica. Não são poucos os livros de antropologia que destacam a umbanda como um "culto confuso" e sem definição. No livro Vovô Nagô e Papai Branco, que já comentei aqui, a Mãe de Santo do terreiro pesquisado do Recife diz que a umbanda é a religião que "tem muita invenção" [sic], além de ser a religião que "cobra dinheiro da irmandade"[sic]. Além dessa descrição, há a comparação entre a umbanda e as antigas macumbas cariocas que foram muito perseguidas por serem "religiões negras" -  no sentido literal, pois eram os negros que frequentavam; e no sentido metafórico, indicando que era uma forma de magia usada como vingança para perseguições e combate à inimigos.
             São muitas as causas da confusão que se faz ao pensar a umbanda como religião imediatista. No entanto, há algo na afirmação citada ao início desse texto que não é totalmente errada:  O indivíduo busca respostas várias e solução de problemas que a sua sociedade não consegue responder, tampouco solucionar. 
         O público que busca a umbanda é, hoje, muito diversificado. Ainda há a necessidade de esclarecer as pessoas que buscam a umbanda em relação à sua função, mas acredito que grande parte dessa visão estereotipada que mencionei aqui já está desfeita. Apesar disso, acredito que a afirmação de Nívio está correta, pois não são poucos os casos em que as pessoas que procuram um centro de umbanda pedem orientação, ajuda até mesmo para soluções jurídicas, buscam compreender sua condição. O público da umbanda, como disse, é bem diversificado. vai do pequeno empresário pedindo proteção e ajuda nos negócios, à faxineira, ao morador da favela que tenta driblar suas dificuldades diárias em relação à violência e falta de infraestrutura. Vai do mocinho ao bandido, e tudo isso seguido de um aconselhamento amigo das entidades que não julgam. Não veem cara, apenas o que há no coração das pessoas, tentando resgatar-lhes a autoestima, a força para continuar a caminhada. Para, muitas das vezes, resgatar a dignidade perdida em meio a tantas adversidades.
            Se há algo que o médiun de umbanda que vai para a linha de atendimento aprende muito rápido, ou pelo menos espera-se que aprenda, é que não se pode julgar as pessoas sem saber o que se passa no coração delas...
             Já fui muito contrária à falas como as de Nívio, pelas razões que aqui expus. Hoje repenso falas como essa e vejo que há, no fundo, uma razão de ser. Não que a umbanda vá resolver cada um dos problemas que chegam até ela, mas auxilia, acaba sendo um braço amigo que integra pessoas que são excluídas, que consola o sofrimento e resgata muitas vezes a dignidade que a sociedade não dá.
               Essa é a reflexão de hoje!


                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

24 de nov. de 2013

A Estrela Oculta do Sertão

Porque a diáspora foi cruel não apenas com africanos. Segue um documentário sobre Marranos no Brasil e sua tentativa de resgatar as raízes judaicas.

O interessante é que o documentário mostra como alguns "sincretismos" permitiram à algumas famílias identificarem sua origem Marrana. A partir disso elas, ou alguns membros delas, puderam buscar uma melhor compreensão sobre velhos hábitos tradicionais, e, em alguns casos um resgate a religiosidade judaica (judeus retornados).

Por meio do vídeo percebemos que a "busca das raízes" não é um tema africano, ou indígena, apenas.



Algumas leituras sobre o tema:

1) Ser Marrano em Minas Colonial - Anita Novinsky (USP)

2) Aspectos Fundamentais para o Estudo do Marranismo - Marcos Silva (UFS)

(Os artigos que não li ainda)

3) O fenômeno marrano no Brasil, da colônia aos nossos dias- Angelo Adriano Faria de Assis (Universidade Federal de Viçosa)

4) A PRESENÇA DO DIABO NO COTIDIANO MEDIEVAL JUDAICO: OS RITOS DE PASSAGEM (esse é por interesse pessoal sobre o misticismo judaico).

22 de nov. de 2013

Qual o terreiro de candomblé mais antigo do Brasil?

Hoje, novamente, me deparei com um documentário postado por um amigo de Natal no facebook e que me trouxe várias reflexões, algumas das quais eu coloco aqui.

Existe, ou existiu, certa rixa aqui no Brasil entre terreiros para saber qual é o mais antigo. A antiguidade traria, consequentemente, um status de "pureza" ritual, reafirmando uma identidade originária africana. Na sequência, vem a negação de sincretismos e coisas afins, como forma de validar e revalidar essa identidade. Afinal, sincretismo com catolicismo servia apenas para proteger a religião negra de preconceitos, conforme muitos ainda dizem.

O fato é que esse documentário tenta "resgatar" essa ideia, não explicitamente, mas pelo simples fato de haver no terreiro um marco que registra sua fundação, ainda no séc XVII - Um busto de Castro Alves e a data de 1658. Considerando que nesta época o tráfico de escravos ainda era vigente no país, não parece ser necessário nada a mais para legitimar a antiguidade do culto e, portanto, sua proximidade com as raízes africanas. O documentário retrata um terreiro Jeje, no município de Maragogipe no Recôncavo Baiano. Uma das afirmações fortes que o documentário traz, por parte de um dos historiadores entrevistados, é justamente a negação do sincretismo em prol de uma identidade africana.

Curiosamente, como tenho lido a respeito dos sincretismos, o documentário me fez lembrar de um artigo que li há tempos atrás: As Metamorfoses de Sakpatá, Deus da Varíola  de Claude Lépine. A cultura Jeje, que cultua Voduns, veio da região do Dahomé, justamente a região que Lépine estuda em seu artigo. Ela nos conta que antes de serem migrados para terras escravistas, os negros capturados, passavam um tempo no Dahomé. Nesta região, justamente pela política escravista, foi formado um panteão que reunia todos os deuses das diferentes tribos capturadas. Cito:

Realizou-se também naquele período um trabalho de sistematização e de organização da multiplicidade dos deuses dos povos incorporados ao Danxome.  Este trabalho deve ter sido realizado e se cristalizou no decorrer do século XVII, sob a orientação dos sacerdotes submetidos ao Ajaho (ministro dos cultos), e resultou na elaboração de um panteão. Estabeleceu-se uma classificação do conjunto das entidades, que foram repartidas em nove "coros" (...) Tratava-se de subordinar todos os cultos ao culto real e de fazer dele um símbolo de unidade.

Enfim, mesmo que o culto mais antigo do Brasil, mantenha algo de originário da África, manterá  já um sincretismo formado nas zonas portuárias, onde os escravos de diversas etnias se concentravam antes de embarcarem. E, consequentemente, vários, Voduns, Orixás e Nquices tiveram seus significados mesclados, nomes associados a ponto de se tornarem "qualidades". Houve um "sincretismo" antes mesmo da vinda para o Brasil, ou para outros países escravistas. Mesmo Sapaktá, ou Obaluayê passaram por esse sincretismo sendo relacionados com a Varíola no mesmo período.  Para saber mais um pouco, o blog saravá umbanda copia parte do texto de Lépine.

Onde quero chegar com isso? Não quero desmerecer os terreiros mais antigos, ao contrário. Tenho muito respeito e, com sinceridade, senti vontade de pisar no Terreiro do Pinho, retratado no documentário) e sentir a energia daquele solo. Meu objetivo é, somente tentar mostrar que o conceito de sincretismo é mais profundo do que parece a primeira vista. Sincretismo não se relaciona apenas com a presença de elementos católicos nas religiões afro, ao contrário, antes mesmo da vinda ao Brasil já haviam sincretismos. Um desses "sincretismos" é o da religião trazida pelos Haussás, muçulmanos, tema de uma postagem anterior.

Enfim, Apesar de tantas reflexões, achei o documentário ótimo! Vale muito à pena assistir. Claro que ele traz mais elementos para reflexão. Mas no momento, como estou lendo acerca do sincretismo, essa idéia de "puro" que necessita a sua negação, me chamou mais a atenção.





10 de out. de 2011

Gravações do Tambor de Mina em 1938

Muito legal este vídeo que data do início das pesquisas em torno das religiões afro-brasileiras. Cabe destacar que tais pesquisas se iniciaram, na história da antropologia brasileira, nos anos 30 no Recife e no Maranhão, chegando à a Bahia apenas nos anos 40. Vários intelectuais conhecidos contribuíram para a realização e legitimação destes estudos, entre eles estão Mario de Andrade, Solano Trindade e Jorge Amado.

O vídeo em questão traz canções entoadas nos anos 30 nas casa de tambô de mina no Maranhão que segue a tradição Jeje.

28 de set. de 2011

Documentário Santo Forte

Segue um documentário muito interessante que mostra as relações entre protestantismo, catolicismo e religiões afro-brasileiras dentro de uma comunidade.

Trailer:



Link para baixar: http://eduardocoutinho.blogspot.com/2007/09/santo-forte.html

25 de fev. de 2011

Documentário "índios no Brasil" - Do outro lado do Céu.

O documentário índios do Brasil é bem extenso e procura redescrever a história indígena no Brasil. É bem interessante, pois parte do senso comum e, progressivamente, vai redescrevendo os índios em vários aspectos de sua cultura: língua, religiosidade, formas de produção e relação com a terra, preconceitos. O documentário mostra bem a diferença entre as diversas etnias indígenas e torna claro como as etnias que entraram em contato com o "homem branco" tardiamente conseguem manter mais "pura" sua cultura.

O documentário mosrta a luta das etnias indígenas para manter sua cultura sem necessáriamente serem isolados e excluídos socialmente. é Interessante ver.

O documentário completo pode ser encontrado no canal Pernambuco TV sob o título de "Pluralidade cultural - indios no Brasil".

Para o propósito deste Blog, coloco apenas a parte do documentário que diz respeito à religiosidade indígena:

DO OUTRO LADO DO CÉU

Parte1



Parte 2

1 de ago. de 2010

O Povo Brasileiro

Segue nesta postagem um link para o documentário baseado na obra de Darcy Ribeiro "O Povo Brasileiro".

Documentário sobre a obra homônima de Darcy Ribeiro
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01ª A Matriz Tupi
www.youtube.com/view_play_list?p=F0E6ACE1C21608ED
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02ª A Matriz Lusa
www.youtube.com/view_play_list?p=92034F204E23C6C7
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03ª A Matriz Afro
www.youtube.com/view_play_list?p=51742A478F93579F
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04ª Encontros e Desencontros
www.youtube.com/view_play_list?p=4273C7A7E4CCDD7A
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05ª Brasil Crioulo
www.youtube.com/view_play_list?p=B83BC4A62695CBEC
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06ª Brasil Sertanejo
www.youtube.com/view_play_list?p=83EEBCF592DD5FDE
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07ª Brasil Caipira
www.youtube.com/view_play_list?p=219BD30D1A57C050
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08ª Brasil Sulino
www.youtube.com/view_play_list?p=9C9CD45696689540
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09ª Brasil Caboclo
www.youtube.com/view_play_list?p=57A63B13D8332D3A
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10ª A invenção do Brasil
www.youtube.com/view_play_list?p=9D2711C3156D4975


O interessante deste documentário são as partes onde Darcy identifica na miscigenação a forma de uma nova etnia. Trata-se da formação de um brasil sem identidade, pois já não é mais negra, nem índia, nem Europeia. Um "mot" interessante para pensarmos e refletirmos acerca da umbanda, essa religiosidade autenticamente brasileira, sem identidade ou etnia.
Vale refletir, junto com Darcy, sobre a figura do caboclo. Bem como vale refletir sobre a origem do sincretismo.

9 de jun. de 2010

Ensinamentos de Pai Agenor

Passo rapidamente aqui para postar um vídeo do pai Agenor, gravado pouco antes de sua morte.

Para quem não conhece Pai Agenor de Miranda Rocha, foi um estudioso das religiões afro, em especial o candomblé do qual era seguidor. Foi iniciado ainda criança para escapar de uma doença, e cresceu na religião tornando-se um dos babalorixás mais influentes da Bahia. Frequentemente convocado para decidir os rumos de grande partes dos terreiros de candomblé, foi ele quem determinou que Mãe Menininha presidiria um dos terreiros mais famosos da Bahia.

Este vasto currículo, na verdade, trata apenas da parte material que retrata a figura e a importãncia de Pai Agenor. No vídeo que segue, gravado pouco antes de sua morte em 2008, podemos testemunhar a razão de tamanha influência exercida no meio religioso. Tratava-se de uma pessoa esclarecida, com uma consciência de religiosidade de poucos. Vale a pena assistir:



Mesmo sendo um vídeo curto, vale destacar a humildade e os valores éticos e morais tratados neste vídeo, tão necessários a todos os terreiros e centros espirituais. Valores que muitas vezes faltam na mente dos praticantes de nossa religião.

Segue, também, para informação complementar a versão disponível no Google books do Livro:

As Nações Kêtu: origens ritos e crenças - Os candomblés Antigos do Rio de Janeiro.

É sempre bom termos vídeos como este e pessoas como Pai Agenor com quem possamos aprender um pouco mais.

Para conhecer um pouco mais da história de Pai Agenor, coloco aqui um documentário, longa metragem, que conta um pouco da vida dele e sua relação com o candomblé. Interessante para entendermos um pouco mais esta religião.

UM VENTO SAGRADO

Sinopse do filme: O longa-metragem documental Um Vento Sagrado retrata a vida e obra de Agenor Miranda, famoso jogador de búzios de candomblé. Nascido em Luanda, no dia 8 de setembro de 1907, o Pai Agenor, ou seu Santinho - como é conhecido - é filho de pai diplomata e mãe cantora lírica. Por volta dos cinco anos, escapou de uma enfermidade desconhecida quando, já desenganado pelos médicos, uma vizinha, filha de santo, convenceu seus pais a levá-lo ao candomblé. A partir daí, foi iniciado pela célebre ialorixá Maria Eugênia Anna dos Santos (Mãe Aninha), fundadora de um dos mais antigos candomblés de Salvador, o Ilê Axé Opô Afonjá. Curiosidade: Um Vento Sagrado é a expressão usada por Agenor Miranda para definir os Orixás, divindades da tradição religiosa Ioruba da Nigéria, do Candomblé do Brasil e da Santeria de Cuba.

FICHA TÉCNICA
Diretor: Walter Lima
Elenco: - Documentário -
Roteiro: Carlos Vasconcelos Dominguez, Walter Lima
Fotografia: Mário Cravo Neto
Duração: 93 min.
Ano: 2001
País: Brasil
Gênero: Documentário
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida

LINKS PARA ASSISTIR:

Parte 1:


Parte 2



Bom Filme!

27 de ago. de 2009

Os sonhos (Parte III)

De tudo o que falamos sobre o sonho e que até o momento foi APENAS teórico, vale destacar a função dele como mensagem: seja mensagem do incosciente, seja mensagem de origem sobrenatural.

Na umbanda muitas coisas são questionadas, a começar pelas formas rituais. Como não existe um "corpus" doutrinário, cada casa de umbanda é estruturada conforme as orientações da entidade fundadora, e, mantén características que tem sua origem muita das vezes na cultura e fundamentos trazidos pela entidade em seus aprendizados anteriores. Neste caso, podemos dizer que o "contato" é ancestral e traz ao presente coisas que foram esquecidas no tempo.

Muita gente começa a discutir esses fundamentos e acusam-se de falsários, ou de charlatões, mas se esquecem que somos fruto de uma cultura miscigenada e que é natural que certas casas (e suas entidades fundadoras) tendam mais para o indigena, outras mais para os africanistas e ainda aqueles que pregam um certo "orientalismo" que nem sempre possui origem kardecista.

O ato de "passar fundamentos" de entidade para médiun - tanto no âmbito da estruturação de uma casa, quanto no êmbito pessoal de desenvolvimento e aprendizado do médiun - é um meio de conservação da memória. Conservação de todas as práticas rituais que já existiram em diferentes momentos do tempo e que são trazidos para um presente por meio de sonhos, intuições, etc. Isso torna difícil o julgamento de "certo e errado" que muitos umbandistas se pretendem.

Basta observar: em um mesmo terreiro, temos entidades que se referem a Deus como Olorum, outras que se referem a Zambi (nomenclaturas diferentes, cuja origem na África pertence a regiões e cultos distintos). Do mesmo modo, temos caboclos que chamam seus consulentes de curumins, e outros que se referem apenas como "filho". Temos uma entidade que trabalhará com energias sutis e simples e outras que só sabem trabalhar com elementos materiais mais pesados. Entidades que fumam e outras não. Algumas só precisam de uma vela e um copo d'água, outras precisam de ervas e ainda há aquelas que precisam de sementes para suas firmezas. Uma entidade dirá para você rezar pra Santo Antônio, outra pedirá uma firmeza para exu. Mas no fundo os significados e sentidos se assemelham, ambas almejam a proteção do consulente.
Há ainda entidades que falarão íntimamente a seus médiuns de Orixás que já não são mais cultuados hoje, mas que elas cultuaram, e, neste caso, a linguagem será adaptada para o convívio social do terreiro. Porém, a memória desses Orixás não se perdem de todo, são conservadas na intimidade do médiun, que certamente aprenderá a usar a energia daquele orixá esquecido, mas sob um novo nome que será melhor aceito na comunidade.

A umbanda, na verdade, é o lugar da memória. Onde TODAS as memórias se mantém vivas. A beleza da umbanda reside justamente em um duplo aspecto: o aprendizado coletivo como demarcando um Lugar para a memória acontecer, e o pessoal onde cada uma das culturas, cada individualidade, sobrevive a ação do tempo e do espaço.

Os sonhos são, muitas vezes, o local ideal para a transmissão dessas mensagens, dessas individualidades de forma detalhada, já que a correria do dia-a-dia do mundo moderno faz com que naturalmente tenhamos pouco tempo a dedicar para o labor mediúnico. Sem contar que nos sonhos, nossos egos são parcialmente desligados, e com eles parte de nossos preconceitos. Tudo isso é previsto pela psicologia que nos diz que parte de nossa censura consciênte é eliminada nos sonhos. Com isso nossos guias, mentores, entidades e ancestres conseguem nos transmitir o necessário, sem que interfiramos ou critiquemos.

Me referi a um documentário, na postagem anterior, que é um exelente exemplo disto. Passo ele agora para o baú:

A'uwê - Moyngo - O Sonho de Maragareum











O Vídeo é um documentário onde algo muito comum a cultura indígena nos é passado, ainda mais em tempos onde a cultura "original" começa a se perder: Maragareun sonha com seus antepassados e estes mostram como certos rituais aconteciam e devem ser realizados. Ou seja, é por meio do sonho, do inconsciente, que a cultura indígena mantém a sua conservação. É por meio do sonho que a memória cultural se conserva.

BOM FILME!

14 de ago. de 2009

Documentário sobre EXÚ

Comecei este blog de forma errada, porque nenhum trabalho deve ser começado sem antes pedir proteção aos exus.

Exu na umbanda, bem como nas demais religiões afro, é, antes de tudo, um protetor, uma espécie de guarda costas. É sem dúvida a figura mais polêmica da religião por causa não apenas do sincretismo com o demônio, mas também por seu aspecto humano.

Muita coisa pode ser dita sobre os exus, mas guardarei para outra postagem. Por hora segue o documentário "Dança das cabaças - o Exú no Brasil". (clique na imagem abaixo para assistir o filme em outro Blog).



Dirigido por Kiko Dinucci, o filme passa pelas diversas vertentes das religiões afro-descendentes, dos candomblés (de tradição Nagô, Gege, Bantu), Tambor de Mina, passando pela Umbanda e Quimbanda. Dança das Cabaças-Exu no Brasil conta com participações de Sacerdotes e estudiosos.

Laroyê Exú!

Boa seção a todos!

13 de ago. de 2009

Sobre Cabolcos...


Os caboclos são entidades que se manifestam na umbanda e em alguns candomblés, que representam as origens indígenas do povo brasileiro. Isso a maioria dos adeptos de ambas as religiões sabem. O que talvez não saibam é que a forma de apresentação destes caboclos, sua dança, gestual, objetivos e forma de trabalhos variam conforme as casas onde trabalham.

No candomblé de caboclo, muitas vezes, estes caboclos aparecem com caracterizações próprias e um modo mais solto de lidar com o público e pessoas da casa. Muitos médiuns ventem-se de acordo com o desejo manifestado pela entidade.

Caboclo de pena (indígenas), com as penas que o caboclo pedir.
Caboclo de couro (boiadeiros e representantes do lado sertanejo, caboclo propriamente dito) com chapéus de couro e outros acessórios que marquem a sua identidade sertaneja.

A diferença é marcada também na dança e no gestual....

Em casas de umbanda não é habitual caracterizar estas entidades com vestimentas próprias, ficando a sua identidade demarcada apenas pela sua dança e gestual.

A forma de trabalho também varia, até onde pude entender. Na umbanda que conheço, caboclos ditos "boiadeiros" tem seu lugar reservado a trabalhos de descarga, eliminação de energias negativas, tanto do médiun que trabalha com ele quanto daqueles que procuram o auxilio dessas entidades. Os caboclos "de pena" tem atribuições mais variadas como, trabalhos de cura com ervas e cantos, magnetização e equilíbrio psíquico, conselheiros, além dos trabalhos de descarga.

No candomblé de caboclo, a diferença entre estes tipos de trabalhos se torna menor, e podemos encontrar caboclos de couro manipulando ervas entre outras coisas...

Segue abaixo um vídeo que mostra um pouco da figura do caboclo nos candomblés de caboclo:

Caboclos de um Brasil Caboclo




O documentário mostra um pouco do que é a figura do caboclo no candomblé de nação Angola e sua forma de trabalho.

Achar um vídeo sobre caboclos e sua manifestação na umbanda e forma de atuar na umbanda que dê conta da diferença que pretendo pontuar aqui é mais difícil. A maioria dos documentários e vídeos instrutivos voltam-se mais ao candomblé como expressão de cultura brasileira, esquecendo algumas outras tantas manifestações religiosas.

Muitas vezes noto uma preferência antropológica à religiosidades que mostrem de forma mais "simbólica" a "cultura" do povo brasileiro mestiço, mantendo um distanciamento etnológico entre o que é "Brasil" e "derivado dos povos africanos". Uma abordagem muitas vezes etnocêntrica que põe o brasileiro "de fora" da sua própria nacionalidade.

Há uma crítica aqui? Sim, há. Esta crítica tem um duplo direcionamento: o primeiro direcionamento volta-se sobre o olhar academicista diante da cultura e expressão religiosa como objeto, que torna as formas de abordagens antropológicas muitas vezes vaga, quando não exaltam apenas o aspecto "pitoresco" dando um ar de "primitivismo" a estas expressões que, antes de serem culturais, são religiosas e, como tais, possuem uma unidade doadora de sentido e de realidade. Esta unidade doadora de sentido, não é mais africana, nem católica, nem kardecista, nem tampouco "afro-brasileira" - que dá um sentido de segunda África - mas eminentemente brasileira. Elas expressam um modo de viver e de pensar que é própria da nossa nação, que não é africana, não é indígena e nem européia.

A segunda crítica vai para os adeptos da umbanda e até do candomblé que, muitas vezes iludidos pela falta de um corpo doutrinário escrito de nossa religiosidade, se voltam aos estudos antropológicos e tentam reproduzí-los em suas concepções pessoais da religião.

O importante destacar nesta postagem é que por caboclos, entendende-se bem mais que índios, ou entidades que representam antepassados indígenas. Ao contrário é na figura do caboclo que se destaca de forma mais veemente a identidade brasileira, do mestiço.

As diferenciações vistas nos terreiros de umbanda, não "simbolizam" a diferença de sua origem, mas sim a diferença de formas de trabalho e funções exercidas em nossa religião.

12 de ago. de 2009

Começando a coleta de dados...

Segue um documentário muito interessante sobre as origens do candomblé, produzido pela TV FUTURA:


Em breve edito este post com comentários sobre o documentário.
Adianto que os comentários da Valdina Oliveira Pinto (na foto abaixo) são ótimos!

Segue uma citação:

É um equívoco, quando se fala em Bahia, pensar só em iorubá. Os iorubás chegaram depois, quando já havia negros na Bahia. O recôncavo e a zona rural estão aí para comprovar. Você encontra tantos sinais da presença banto, que talvez a gente nem identifique mais porque já é brasileiríssimo, já está misturado. O povo banto chegou no início do tráfico de africanos, quando os portugueses nos colonizaram. Eles formaram, com indígenas e os próprios portugueses, a cultura do povo brasileiro.